Porque se você parar pra pensar, o que te revolta pode te motivar também.
Dos discursos da Presidência:
Bacana isso. Interpreto tudo o que me dizem (leia-se: eu formo opiniões sobre qualquer coisa e causo polêmica com fios de cabelo), mas evito as frases de conotação politiqueira. Essa, contudo, foi inevitável. Então vejam:
“É importante mudar a classe política, ter consciência, ter o direito de colocar gente cada vez melhor. Às vezes, fico assustado quando coloca gente pior. É preciso ter consciência que a eleição serve para fazer a reparação. Colocou um cara ruim, troca. Reelege um melhor" (Presidente Lula à uma rádio mineira)
Dizemos a ele que reeleição pressupõe que o mesmo candidato seja reconduzido ao cargo? Afinal isso já aconteceu antes, não?
Embora eu, sinceramente, concorde com a mudança de classe política, eu diria: Sr. Presidente ... eu tentei a reparação, mas não deu!
Fadiga...
Dos discursos da Presidência 2:
Falando nisso, escrevi um e-mail para o Lula. Sim, para o presidente. Não, ele não vai ler. Mas eu acordei chateada com algumas coisas e resolvi desabafar. Com ele, claro.
Afinal, aprovar uma medida provisória sem relevância ou urgência, e o fazer em matéria ambiental na contramão das necessidades reais de proteção, não é legal. Permitir que o Congresso Nacional emende a tal medida provisória, ao invés de se propor uma lei para a matéria, com o quórum de aprovação correto, também não é legal. Ao final, aprovar as emendas absurdas, em desrespeito a tudo o que se deveria prezar em matéria ambiental no país e no mundo, bem, não é nada legal.
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Vejam, mandar um e-mail pode não ser nada, e de fato não é, e eu não vou dizer que “é importante cada um fazer a sua parte”. Meu coração gostaria de passear no Palácio do Planalto fantasiado de macaco-prego-do-peito-amarelo (embora ele dificilmente fosse entender a correlação com as árvores desmatadas de forma legal e o bichinho em extinção), junto a outros voluntários do Greenpeace, mas tudo bem, eu vou tentar “reeleger” alguém melhor. E viva o Rio 2016!
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Resultado? Não deu certo. Me enviaram um e-mail automático que dizia que a mensagem foi encaminhada para o presidente. Preciso me acalmar antes que comece a enviar correntes frenéticas para a sua caixa de entrada.
Novidades do mundo concurseiro:
1. Mais 3 matérias se juntam às 21 que já existiam.
2. Provas escritas de todas as matérias e não por amostragem anterior (sorteio), com ressalva apenas para previdenciário (thanks God!).
3. Prova oral sem fracionamento por matéria.
4. Prova objetiva com nota de corte acima de 8.9 (não foi uma novidade do edital, mas sim do resultado).
5. Ressalva para a convocação de aprovados acima da nova porcentagem legal mesmo dentro da validade do concurso.
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Legal, não?
Super máster gedai bacana! Estava dando pulinhos frenéticos até agora!
De desespero, lógico.
E para finalizar:
Pergunta:
O que se faz quando um estagiário, já no final da graduação, escreve na CIF (Central de Informações Forenses) que “o processo ta com agente dez dia deis” ?
E ficamos agora com a previsão do tempo de nossa querida Paula. É com você Paula!
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Um temporal passou por aqui ontem.
Literalmente.
Arrastou metade das telhas da minha casa (e da casa de todos os vizinhos), um carro por alguns metros, 5 árvores só da minha rua - inviabilizando a passagem dos dois lados da avenida por horas, encharcou um cômodo de casa e deixou 3 mortos e mais de 20 feridos na cidade. Além disso, derrubou todos os fios de comunicação de diversas ruas, e inclusive agora, eles ainda não funcionam completamente.
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E durou pouquíssimo tempo.
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Saí uns minutos mais cedo hoje para dar uma volta pela cidade. Tirei fotos, conversei com as pessoas (que desesperadamente tentavam arrumar suas casas). Tentei sentir o que eles sentiram. Tentei olhar os acontecimentos com seus olhos. Tentei me fazer um no meio da pluralidade. Gosto muito de conversar com as pessoas, inclusive desconhecidas. Sempre penso que se compreendêssemos a grandeza desses pequenos atos, a vida em comunidade seria mais plena.
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Mas isso me fez pensar algumas coisas.
(É Paula? O que não te faz pensar na morte-da-bezerra ultimamente?)
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O temporal faz estragos. Muitos.
As pessoas sofrem. Perdem seus lares, seus amados, sua rotina. Tudo fica sujo, muito sujo. E mesmo após meses ainda há pendências e dores a serem superadas. Sim, às vezes é impossível descrever em palavras o sofrimento de tantos. Nessas horas, nos cabe silêncio e oração.
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Algo semelhante se passa conosco, e para esclarecer eu não me refiro a relacionamentos. O mesmo se passa com todos os setores de nossa vida.
Pouquíssimos minutos podem desmoronar anos. Pouquíssimos minutos podem enlamear nossas almas. Pouquíssimos minutos podem nos tirar o alívio de uma vida.
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E quem de nós pode ser capaz de conter as forças da natureza?
Nenhum de nós (nem a banda!).
É a vida. É a morte. É o caminho.
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Mas algo me motiva.
Depois do temporal o céu se abriu. As estrelas brilharam e deram um pouco de alento para as telhas e árvores caídas. O vento macio soprou sem a aspereza das folhas soltas e velozes, e os corações se acalmaram com chocolate quente e cafuné.
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E igualmente isso ocorre com nossas vidas.
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Com dor e com superação o céu também se abre. As estrelas novamente brilham. Até que a tempestade seja somente uma lembrança, não da dor sofrida, e sim da sensação, maravilhosa, de assistir a bagunça do céu desfeita. Também dentro de nós.
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No fim das contas não há nada como uma boa bagunça para pôr ordem em nossas vidas.
Dizem que em momentos de calamidade o melhor e o pior das pessoas desabrocha. Ontem eu vi o melhor lado de várias delas. Isso dá medo porque bagunça ainda mais, mas mesmo assim eu sei que posso pôr ordem em tudo. Um dia.
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Pois bem telespectadores. É essa a previsão para os próximos dias: temporais seguidos de sol e luz. Muita luz. Agüentem firme e se preparem para o verão!
Fiquem agora com Muppets Baby!
(Resolvido: se nada der certo eu ja sei que não tenho vocação para ser jornalista)
Obviamente o primeiro momento da análise do comentário foi pensar que talvez eu não estivesse mesmo preparada, ou questionar para o quê, exatamente, eu deveria estar.
Para a morte? Para o fim? Para a dor?
Sempre consegui ser bastante racional. Não que o sentimento fuja do meu peito, ou que eu possa arrancá-lo com as mãos. Mas sentimento é diferente de sentimentalismo, e do segundo eu tenho muito pouco. Mas não é disso que quero falar.
Na verdade algumas pessoas sugestionam que estar preparado é coibir que o universo conspire para agradáveis surpresas ou aprendizados. É fantasiar sobre o controle de tudo e de todos e inviabilizar a autenticidade sob a máscara de auto proteção.
O que digo é que o meu Deus não é determinista. Eu sou livre.
Ter certeza de tudo é inconveniente. É como ir a um primeiro encontro sabendo que será pedida em namoro. É como ler o jornal sabendo que só encontrará notícias ruins. É como ir trabalhar sabendo que seus prazos estarão sobre a mesa – sem surpresas e excitação -, e beijar uma pessoa sabendo que não sentirá arrepios.
Além de inconveniente é inútil e sem graça. É possível saber lidar com o rotineiro, mas nada apagará o imponderável de nossas vidas. E assim deve ser.
Mais inconveniente, contudo, é não ter certeza de nada. É repetir um “não sei” como se fosse o mantra de sua existência, é questionar cada pontada no peito como se todas as dúvidas da humanidade ali se encontrassem. É acordar todos os dias com os pés soltos e sem chão, ou olhar para o vazio procurando respostas, inócuas, fora de si mesmo.
Não tenho certeza se me adapto à pessoas que não têm certeza de nada. Mas confesso que estar ao lado de quem tem certeza de tudo deve ser difícil.
Me mandaram estar preparada e meu coração gritou em silêncio. E sangrou. E cicatrizou. Ninguém manda em mim (!), vociferou.
Preparar-me?
Para a morte? Para o fim? Para a dor?
Eu quero é paz, inclusive a mundial! (Quase como uma miss universo)
Caminhar em direção ao desconhecido me parece uma idéia fantástica, mas só se você sabe por que caminha. Não para onde. Mas por quê.
Pois eu digo que estou preparada.
Para a vida. Para o re-começo. Para a felicidade.
E embora seja um contra-senso, eu me preparo para o imponderável. Para o infinito. Para os destinos, não buscados, das minhas andanças e até para novos arrepios.
Eu não me preparo para finais (salvo as de campeonatos). Eu não me preparo para sentimentalismos. E eu me recuso a ser igual e a ser mandada.
Eu não preciso de auto proteção. Eu quero o desconhecido, segura de que eu tenho os meus motivos para caminhar. Sim, eu tenho.
E que o vento me carregue para qualquer lugar. Antes da tempestade, eu já sabia voar.
. Eu não faço aula de step na academia porque acho que não consigo acompanhar os movimentos do "sobe na caixinha", "desce da caixinha", e isso me irrita.
. Eu danço muito mal e isso é engraçado - para os outros.
. Sou muito chorona, mas quase ninguém sabe (até agora).
. Eu choro quando vejo alguém passando fome na rua, e as vezes eu me sinto impotente.
. Eu dirijo meio mal, sobretudo a noite, e seria mais sensato estar sempre de óculos (embora da minha CNH não conste tal obrigatoriedade porque na avaliação médica do meu processo de habilitação fiquei batendo papo com o médico sobre assuntos mais relevantes para a humanidade).
. Eu adoro a minha voz, mas sinto vergonha de cantar em público, por isso shows no banho são frequentes.
. Saudade física nem sempre significa distância emocional.
. 81% de aceitação presidencial não significam, necessariamente, 81% de aceitação presidencial, mas acho que sou a única que pensa assim.
. Eu não consigo entender cálculos matemáticos e essa é uma dificuldade que me acompanha há anos.
. Apreciar vinho é diferente de saber degustá-lo.
. Eu não acho tão difícil assim largar tudo, correr para algum canto do mundo que precise, e dar aulas para adultos sem instrução.
. Eu faço piadas que ninguém entende e que só eu acho graça.
. Eu sinto tanta saudade do meu avô que as vezes posso jurar que ele está perto de mim.
. Eu assisto (e prefiro) seriados antigos e decoro as frases das personagens. Aliás, faço isso com filmes também.
. Minha impulsividade ainda vai contrariar meus parâmetros de racionalidade. Medo.
. Eu tenho muito medo de não conseguir passar e de não ser tudo o que esperam de mim. Na verdade eu não quero ser o que esperam de mim, mas não quero que os que eu amo sofram quando descobrirem isso.
. Às vezes deve ser mais gostoso ser um termo circunstanciado do que ser uma ação penal.
. Só porque eu não sofro em público não significa que eu não sofra sozinha.
. Eu vou ao cinema sozinha.
. Eu sou muito teimosa e isso já me rendeu lindas vitórias, mas também amargas derrotas. Não acho que eu consiga achar a justa medida disso antes de me aposentar por idade.
. Às vezes eu ouço música sertaneja e o pior, às vezes eu gosto. Muito.
. Eu não consigo seguir nenhum regime.
. Gasto mais do que ganho, mas sempre tenho ótimos motivos e acho todos ponderados e plausíveis.
. Eu acho super mega ultra master gedai passar o final de semana inteiro assistindo um filme atrás do outro e não dou a mínima se não sair de casa ou ter contato com o universo ao meu redor. Ainda bem que tenho amigos sensatos e que não têm medo de me dar bronca.
Eu definitivamente não deveria ter nascido em 1985. Vejam, deve ter havido algum erro de cálculo, porque me sinto alheia à maioria dos grandes acontecimentos da minha idade física.
O que sinto é que não pude participar da aprovação da nossa Constituição e agora, fatalmente, preciso aplicar um texto sem contexto. (Sim, porque a nossa Constituição, no ato da promulgação, já não refletia o que se esperava dela). Não pude sair às ruas! Não pude cantar com Elis Regina as baladinhas do “Mas é você que é malpassado e que não vê que o novo sempre veeeeeem!” ou soltar um “Pai, afasta de mim este cálice!” por aí (Aliás, quem de nós não quer soltar um “cale-se” as vezes? – nem que seja para o presidente).
Não estava no Woodstock Music & Art Fair (1969) para ouvir Janis Joplin e The Who no mesmo dia! Isso, igualmente, é bem injusto. The Doors cancelou o show e eu precisava estar lá para cantar Light My Fire com meus amigos.
Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, freqüentemente idealizado e irreal. Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida.
Certo, aparentemente eu não estou nostálgica, afinal, infelizmente eu não participei da conquista do voto feminino em 1932. E peloamordesãobenedito, lutar pelo voto feminino não é a melhor concepção de feminismo que existe (aliás, eu não concordo com nenhuma).
Também não sou uma rebelde sem causa.
É óbvio que existem conquistas pelas quais eu posso lutar. Notório ainda que posso vivenciar manifestações de arte, política e jurisdicização tão plenos como no passado. E embora enexiszero e brazil’snexttopmodel não me causem um frenesi verbal (somente risos involuntários), eu as vezes penso que a minha geração precisa resgatar o gosto pelas verdadeiras conquistas.
Só torço para que hoje, os grêmios estudantis não pugnem somente para que a rádio do colégio toque Rihanna no intervalo (que aparentemente fugiu com o ex, para o México, para escapar da ordem judicial que ela pediu contra ele por conta de violência afetiva que sofria - SIC), porque, ontem, uma colega de trabalho, que também é professora de português, me contou que um dos alunos instalou uma bomba caseira no lixo reciclável de um dos colégios mais caros da cidade.
Para que não se preocupem somente com os próximos eventos do final de semana, e que entendam que as relações são mais profundas que gírias vazias que comumente usam. Que os concursos públicos são para pessoas vocacionadas e não somente para as que querem ganhar bem e ter estabilidade financeira. Que liberdade não se confunde com libertinagem, e que arte não é qualquer expressão intelectual.
As vezes me sinto subaproveitada pela época. Mas o que me consola é que Elizabeth Bennet não queria somente cumprir as exigências sociais (ainda que fosse se casar com Mr. Darcy – e cá entre nós, todas merecem um Mr. Darcy), em “Orgulho e Preconceito”. Ela queria mais. Ela queria mudanças sociais. Ela retratava a própria autora fugindo dos estigmas da sociedade da época. E ela estava no final do século XVIII.
Então quando olho para trás, para um passado que não me pertence, eu começo a entender que minha nostalgia se volta para tudo o que eu ainda posso fazer no futuro. No meu futuro. Aquele que me pertence.
Fica claro, dessa forma, que eu terei meus momentos de Woodstock ou de conquista do voto feminino. E afinal de contas, Constituições não são imutáveis, e temos aí um problema ambiental gravíssimo que precisa de algum tipo de solução. Porque eu não sou malpassada e eu sei, o novo sempre vem.
E o melhor de tudo é saber que eu não estou só. Isso é ótimo. Afinal, tocar The Fray, sozinha, não teria a menor graça.
Observação: A Lu, do Temperos pra vida, indicou a leitura do meu post anterior no blog dela. Achei fantástico! Fiquei mesmo lisonjeada!! Obrigada querida!! Eu adoro seu blog!
Sabe que recomeçar é algo extremamente importante. É quase insólito para uma pessoa como eu, que não admira, sempre, a leveza das mudanças, entender igualmente o brilho de recomeçar.
Mas ele existe. E realmente brilha. E realmente ensina. Pode até ser feliz, eventualmente. Isso não significa também que seja fácil. Às vezes temos essa idéia, meio fantasmagórica e hollywoodiana, de que acontecimentos importantes são sempre felizes.
Ou que mudanças não causem estragos.
Mas não é assim.E quem de nós pode ser capaz de julgar, com imparcialidade, a dor que advém desses momentos silenciosos de mudança?
Penso que só me caiba silenciar. E aí está mais uma qualidade que eu preciso aprender, como um exercício diário que preciso mentalizar. Silenciar não com o mundo. Vejam, eu sou bem introspectiva no que diz respeito ao meu próprio sofrimento.
Mas sim silenciar comigo mesma. Com meus choros involuntários, aqueles que me assaltam em uma sexta-feira à tarde em meio aos meus processos inconclusos; com minhas noites sem sono; meus estudos sem concentração; meus erros óbvios no escritório.
Silenciar com essa dor no meu peito que não tem hora para ir embora. Silenciar com essa sensação de insegurança e angústia que só vão parar quando eu aprender a recomeçar e entender que ela não é má e que é necessária.
De repente eu acordei e percebi que precisaria re-aprender quase tudo em minha vida. Dos pequenos acontecimentos e aquela vontade absurda de ligar e contar como foi meu dia, até a caminhar em direção ao desconhecido, sozinha, no escuro, abraçando o “Trobonildo” – meu ursinho.
Sim, as mudanças doem. Mudar e crescer, conceitos por tantas vezes tão parecidos, se confundem agora com silêncio.
Silêncio que preciso para entender.
Silêncio que preciso para sentir.
Silêncio que preciso para recomeçar.
E dignidade.
Sempre entendi que até para sofrer era necessário que fossemos dignos. Porque vejam, a dor pela dor é masoquismo, mas se for possível encontrar algo além da dor, seja uma missão ou um dom pessoal, ou ao menos o consolo de que o futuro nos reserva maravilhas, então o sofrimento passa a ser digno, passa a ser forte, passa a ser até impetuoso.
Eu não tenho medo de sofrer. Eu tenho medo de não entender porque eu sofro. E é por isso que preciso de silêncio, ao mesmo tempo que tenho necessidade de transcrever em palavras os sentimentos que me assolam.
Penso que assim aconteça a grande mágica da literatura: a possibilidade de transcrever sentimentos tão profundos em palavras, e isso é quase impossível.
Pois eu sigo pela vida, rezando. Valente como eu sempre fui. Mas com uma característica peculiar agora. Sempre fui a fortaleza de muitas pessoas, sempre fui vista como ponto de apoio, eu e minhas palavras consoladoras, fortes, vibrantes. Eu e meus conselhos ponderados e equilibrados. Essa tal inteligência emocional que agora eu zombo.
Contudo, agora essa minha valentia é silenciosa. Não amargurada, digna. Santificada pelo brilho do amadurecimento e pela certeza que “tudo conspira para o bem daqueles que amam”.
E eu amo.
Caros leitores, depois de um longo inverno (e seu sei que tenho tido vários), eu voltei. Prometo atualizar todas as minhas leituras essa semana. Prometo mesmo, estou com saudades dos textos de vocês.
Vou re-formular esse blog um pouco. Responder meus comentários, visitar os leitores novos (aliás, nossa, fico lisonjeada!), receber os selinhos que ganhei e postá-los. Obrigada!!!
E fica minha trilha sonora: (porque uma música fala sempre mais do que queremos chegar a ser)
Tocando em frente - Almir Sater
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história, Cada ser em si carrega o dom de ser capaz De ser feliz
Não, tudo bem. Hoje quero falar de amenidades mesmo. Tenho andado muito reflexiva ultimamente. Dizem que há dois tipos de pessoas, e os dois extremos são problemáticos. As que não pensam nada, e as que pensam demais. Sigo tentando encontrar a justa medida entre ambas.
1. Gripe: Tentei a todo custo evitar tratar de um assunto tão delicado quanto esse. Afinal, já me bastam todos os meios de comunicação de massa relatando os pormenores (ou não) dessa pandemia estranha que nos assola. Affê, que o Atchim me desculpe, mas ultimamente falar sobre gripe é meio deprimente.
Bom, estava eu junto a meus pais na feira. Pois é, na feira. Vejo muito pouco meus pais, e se eles querem ir a feira de domingo de manhã, comer pastel, saber como foi minha semana, jogar conversa fora, eu vou. Nem sei mais há quantos anos eu como pastel aos domingos, mas faz tempo. Muito tempo. Se há um lugar que reflete bem a tal da "aglomeração de pessoas" (dos panfletos de precauções a serem tomadas em face da gripe A), esse lugar é a feira do santo domingo.
Paula, um ser que carregava 23 sacolas de feira para que sua mãe continuasse seu trabalho árduo de escolher as melhores verduras orgânicas ali existentes e seu pai continuasse a não entender a diferença entre tomate comum e tomate pérola (o que faz com maestria há 20 anos rs) , tentava driblar a correnteza de pessoas que vinha na direção oposta à dela. Claro que sua mãe faz a feira ao contrário do fluxo, ainda não entendi o porquê, contudo.
E ao longe vem um senhor. Bem alto, forte. Até gordinho. E ao passar por ela, bem ao seu lado, simplesmente espirrou. Coitado, vocês poderiam dizer. Eu também seria complascente se ele não tivesse espirrado exatamente sobre a Paula. Parece que propositadamente!
Vejam, eu pensei instantaneamente que estava com gripe, uma forte dor de cabeça tomou conta de mim e quase tive a certeza que estava com febre. Por sorte estava perto de uma barraca que vende mel. Minha mãe acha que mel cura tudo. Mel e babosa. Eu nem sei como me surpreendi: isso sempre acontece comigo. Aparentemente eu pareço ser alguém com mais paciência do que eu realmente tenho. É claro que, por eu ser muito educada (o fato de eu não estar completamente disperta influenciou infelizmente), acabei silenciando - e eu não deveria. Céus. Ele vai continuar espirrando em mais gente.
Tirando todos esses detalhes pequenos e exagerados, bem como o fato que eu não estou mais com tanto medo dessa pandemia, porque as pessoas não têm noção alguma de urbanidade? Eu cheguei em casa e fui direto para o banho, fiquei passada com o fato de que espirraram em mim. E ele era tão alto, mas tão alto que: 1º. O espirro foi algo como "de cima pra baixo", eu não tive chance de defesa e, se tivesse, necessitaria de um guarda-chuva; 2º. Fiquei pensando em algumas semelhanças entre ele e o Atchim, da Branca de Neve, mas tirando o fato dele ter barba, ele realmente não era uma personagem da minha infância.
Enfim, se você ler isso senhor da feira: Não espirre mais em mim! Não é legal!
Brincadeiras a parte, não gosto dessa gripe. Ainda não tenho uma opinião formada a respeito das teorias conspiratórias da gripe A, mas assim que as tracejar, eu comento com vocês. Apenas tomem cuidado, ok?
2. Estorno bancário: Vocês se lembram das cobranças que o banco vinha fazendo em minha conta corrente? Pois não é que estornaram todo o valor?
Os cálculos ficaram assim: . 22 ligações para o 0800. . 8 ligações para a minha gerente. . 2 visitas ao banco. . 7 meses de espera.
Eles me ligaram para me contar como são eficientes e como respeitam os consumidores, quase me emocionei com tanta sinceridade e presteza. O que querem? Uma medalha? Talvez um memorial? Eles não contavam com o fato de que euzinha, sim, essa que vos escreve, é o ser mais teimoso que existe. Eu não ia desistir. Os venci pelo cansaço. Depois eu ainda me pergunto porque processar instituições financeiras é tão delicioso. Pronto. É por isso.
3. Pessoas apaixonadas: Hoje fiz uma audiência na vara de família. É algo que eu sinceramente não estou acostumada. Na verdade se tratava de um cliente antigo, e alguns clientes necessitam de assistência jurídica adicional, ainda que não seja bem a especialidade do escritório. Sem entrar em detalhes que me comprometam com o Código de Ética da Advocacia, audiência de conciliação de separação judicial é mais ou menos como aqueles programas de fim de tarde sobre relacionamentos e brigas familiares, sabe? Isso me fez pensar que aqueles laudos periciais contábeis, recursos especiais de matérias processuais e processos administrativos tributários não sejam assim tão inconvenientes como eu imaginava.
Mulheres quando saem magoadas de um relacionamento são realmente perigosas (e homens também, claro! - Sim, Pedrita, concordo contigo!) Não quero nem pensar na audiência de instrução e julgamento desse processo. Eu realmente admiro pessoas com vocação profissional para direito de família. É preciso uma sensibilidade fora do comum para questões tão íntimas como essas. Não a de hoje, especificamente, já que se tratava de um casal sem filhos, mas não é sempre engraçado. Na maioria das vezes é denso, e eu fico me perguntando, se eu for mesmo promotora, terei a delicadeza de espírito para intervir em processos assim?
Há certas matérias que ultrapassam os livros de Direito e os manuais de cursinhos preparatórios para concursos públicos. É vocação. São sentidos. Finalmente a razão cede espaço para a sensibilidade que faz dos aplicadores do direito realmente humanos. Cá estou eu pensando outra vez...
Bom, é isso. Agora vou ali. Já volto. Ótima semana a todos!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Eu andei pensando na vida. Obviamente meu sumiço (eventual) foi embasado nessa justificativa.
Pensar. Questionar. Validar decisões.
É engraçado que a maioria das pessoas só dê valor à vida à beira da morte. É engraçado como nossas reações à dor e ao sofrimento nos condicionem como pessoas. Ao nosso próprio sofrimento, vocês poderiam questionar. Não. O que verdadeiramente nos condiciona são nossas reações à dor e sofrimento alheios.
Por esses dias estava indo ao velório da mãe de um dos advogados aqui do escritório. Meus pais sempre me ensinaram que devemos ir a um velório em horários pouco frequentados, de maneira a realmente prestar assistência aos familiares. E assim foi. Saí da minha cidade de madrugada pois o velório estava acontecendo na cidade vizinha. Dirigir a noite e em silêncio nos dá uma sensação fantástica de liberdade.
Dirigi pensando como nossas dúvidas são um pouco insignificantes. Como os nossos supostos problemas são realmente pequenos ante a grandiosidade da própria vida. Ou da ausência dela. Como nos preocupamos com nossas idiocrasias, sem sair de nós mesmos para a beleza que o outro pode nos conceder.
E de repente muitos dos meus questionamentos fizeram sentido.
Aquelas minhas angústias profissionais poderiam, enfim, se transformar em vetores de motivação, e eu poderia, quem sabe, estudar sabendo que passando ou não, eu ainda poderia mudar alguma coisa nesse mundão de Deus. Que aquela nova funcionária do escritório não iria invadir minha esfera de atribuições e desrespeitar a ética que eu tanto prezo. Que os detalhes da minha vida seriam meticulosamente guardados por aqueles que me amam.
Aquelas minhas preocupações vãs, se tornaram tão ridículas, que seria até inconveniente não acreditar que o universo poderia sim conspirar para a minha felicidade.
Porque no fundo, a própria vida, enquanto não maculada pela certeza da morte, é repleta de incertezas que, convenientemente, nos estimulam a crescer, e nos convidam a amar.
Amar a vida. Amar o caminho, não é? E talvez até respeitar o porto de partida.
Eu deveria dizer a vocês que agora as coisas realmente serão diferentes, mas a verdade é que eu continuo pensando, muito, na validade das minhas decisões. Não apenas em relação aos concursos públicos, mas nas formas (quase mediúnicas) de controlar as minhas emoções, de crescer com os acontecimentos, de não me abalar com as mudanças da minha vida, e de driblar essa dorzinha no meu peito que não vai passar até eu cumprir minha missão.
Agora vou ali, fazer uma limonada com meus limões.
Ps: Meus queridos leitores, agradeço todo o carinho nesse meu período - em férias. Lidei com algumas situações angustiantes, é verdade, mas receber e-mails, recadinhos e comentários, realmente me alegra e por isso eu agradeço de coração.
Novo Ká: É delicado. É pequeno, correção: é fácil de fazer baliza. Grau de dificuldade - 2,5. Só tem 3 portas. Não sou eu quem vai ficar no banco de trás mesmo. O porta-malas é pequeno, mas tem um botãozinho no painel que o abre sem a chave. Quem se importa com o tamanho do porta-malas? Um charme!
Prisma: É grande. Grau de dificuldade para baliza - 7,5 (perde para caminhões, claro). Pareço mais velha e sábia nele. Não gostei da marcha ré. Dá para esconder um corpo tranquilamente no porta-malas. Não é um carro feliz.
Novo Gol: Não tem menos do que 5 portas. É horrível por dentro. Tem acabamentos em metálico breguíssimos. O volante é estranho (meio peludo)
Cena 2 - O Test-drive
Novo Ká: _ Pode pisar fundo? _ Humm, gostei do barulhinho da seta.
Prima: _ Cééééus, cadê a ré? Achei. Affê.
Novo Gol: _ Não quero dirigir esse carro. Ai.
Cena 3 - Parte mecânica.
Novo Ká/Prisma _ Que bom que você gostou de dirigir, espere só até ver a parte mecânica. _ Ahm. _ Gostaria que eu te explicasse? _ Não. _ Quer que eu abra o capô? _ Ééééé, não, obrigada. Ele é bom não é?
Novo Gol: _ É melhor que o Ká. _ Porque? _ Porque (blá blá blá). _ Mas é feio. _ Mas tem (N) coisas. _ Ainda é feio.
Cena 4 - Paula escolhendo a cor do carro novo
_ Tem quer ser vermelho. Mas não aquele vermelho bandeira da Alemanha, tem ser algo puxado para o vinho tinto seco acompanhado de lazanha. Saca? _ Mas se você comprar o prata eu não te cobro o adicional pela cor, e é mais fácil de vender depois. _ Mas porque eu preciso pensar em vender o carro quando ainda o estou comprando? Afinal, vou demorar anos para pagar mesmo. _ Mas o vermelho vai demorar 45 dias para chegar da fábrica. _ Vai o prata.
Cena 5 - A troca (sem a Angelina Jolie)
_ Oi Paula, bom dia. Acabou de chegar um vermelho pronta entrega e resolvi te ligar. Quer trocar? Ele veio com direção hidráulica e eu não te cobro a direção se trocar de cor, mas você perde o vidro elétrico. _ Ahm. _ E então? _ Ahm. _ ? _ Vermelho.
CONCLUSÕES:
1. Eu sou a pior compradora que existe. 2. Todos os vendedores ganharam uma ida para o céu, sem conexão com o limbo. 3. Meus pais e o Gui também. 4. Acabei comprando o Novo Ká vermelho. Estou tão ansiosa por sua chegada. Pareço uma criança no dia 23 de dezembro. 5. Já não tenho dinheiro algum e vou ficar mais alguns anos sem. 6. Se eu comprei um carro vermelho, eu preciso de uma fita vermelha para mau olhado??
Brincadeiras a parte, fiquei bem nervosa por ocasião da compra. Ao que me consta sabemos que somos adultas quando quem escolhe a forma de pagamento somos nós. Preciso estudar. Mas não foi um luxo, eu realmente precisava - meu golzinho querido, vulgo "Pluto" (sou a única louca que dá nomes para seres inanimados?), estava fundindo. Tadinho, foi um bom companheiro. Como devo chamar o novo carro?
Pequenos fragmentos, divertidos e singelos, da vida de uma jovem que enxerga o cotidiano de um jeito diferente. A Escritoteca traz temas como literatura, música, amor, direito, e tantos outros presentes na vida da autora que tem um sonho e uma vocação.
Paula
Apenas um termo circunstanciado querendo ser ação penal...
Os textos aqui publicados são de minha autoria ou com a devida menção referencial. Contudo, as imagens que aqui colaciono não me pertencem, sendo encontradas em locais públicos na internet. Farei a devida menção de propriedade fotográfica se me for enviado o mérito via comentário.